segunda-feira, 17 de junho de 2013

Situação de aprendizagem- Crônica Meu primeiro Beijo


Meu Primeiro Beijo
Antônio Barreto

         É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
        Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
        " Você é a glicose do meu metabolismo.
        Te amo muito!
        Paracelso"
         E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
        No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
       - Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
       Mas ele continuou:
       - Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
       - A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
       Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
      E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
      Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
    
                                    BARRETO, Antônio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

PÚBLICO ALVO: 9º ANO
OBJETIVO:
- Levar o aluno a apreciação da obra literária, aprender o gênero crônica, perceber a intertextualidade com outras fontes, perceber a interdisciplinaridade com as disciplinas de biologia, química, física, matemática  e português.
DURAÇÃO: 6 aulas
Recursos: Livro Beijo na Boca de Yvan Jafre, Editora Moderna, cópias do trecho do livro Balada do primeiro amor, de Antônio Barreto, Meu primeiro beijo.
ESTRATÉGIAS:
-No primeiro será apresentado o tema “Meu primeiro beijo aos alunos , iniciando uma conversa sobre o assunto. Em seguida entrega-se o texto aos mesmos, fazendo uma leitura dramatizada, com ajuda de alguns alunos. Perguntar  se já conhecem  o texto e o autor, se a história poderia ter acontecido com qualquer um , retomando as características de uma crônica. Se eles identificam alguma semelhança com as outras disciplinas.
-Num segundo momento abordaria se eles conhecem  outros textos, músicas, ou filmes que abordem o mesmo tema e pedir que compartilhem com os demais.
-Trazer trechos do livro de Yvan Jafre, que fala da história e formas do beijo e fazer um paralelo com o texto de Antônio Barreto.
- Finalmente encerraríamos com a produção de uma crônica sobre o tema estudado, podendo ser publicado no blog, jornal da escola, livro ou no mural da sala.
AVALIAÇÃO: Será feita através da participação do aluno nas atividades realizadas em sala de aula e também da produção de texto final.


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