domingo, 9 de junho de 2013


Memórias de Leitura

Bem, me lembro que nos meus primeiros seis anos,meus parentes (avós, tios e pais) reuniam para contar "causos". Morávamos na zona rural perto da fazenda onde meus pais e parentes trabalhavam.
             Suas histórias fictícias eram monstruosas e assustadoras. Na época eu ouvia tudo e acreditava que era real, pois, eles colocavam vida em tudo que contavam com muita simplicidade, não tinham  muito estudo, mas, talento para contadores de histórias era o que não faltava.
               Eu e meus irmãos, ficávamos atentos às histórias de lobisomem, mula sem cabeça, corpo seco, a lanterna que perseguia as pessoas na mata e outras.
              Aos sete anos iniciei os estudos, mas, era uma menina muito tímida que não queria ir para escola, pois, não suportava a ideia de ficar longe da família. Reprovei os dois primeiros anos, mas,quando fazia o primeiro ano pela terceira vez,conheci um anjo que mudou a minha história, pois, me despertou  "para o mundo da aprendizagem”.
             A professora Cidinha era o meu "anjo”, simpática tinha uma voz suave e encantadora. Tudo que ela ensinava era “mágico" transformador. Sua metodologia era a simplicidade, valorização do ser humano e muito empenho. Comecei a ouvir histórias contrárias aos casos que ouvia dos meus pais e me amedrontavam. Assim tive contato com dois mundos: "o do terror e o da magia”. Lembro-me dos contos de fadas, Cinderela  Branca de Neve e outras  histórias maravilhosas que ganhavam vida ao ser contada pela professora Cidinha.
             A partir dai comecei a ler tudo que me aparecia pela frente, pois, na época às escolas não tinham livros  disponíveis como hoje. Não reprovei mais e no quarto ano participei de um concurso de redação sobre "a merenda escolar" e consegui me classificar em primeiro lugar.
             Acredito que a professora Cidinha conseguiu  entender às minhas necessidades básicas. E como relatou Antonio Candido, em seu depoimento de leitura, "ocorreu à humanização, o exercício da reflexão e a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo e o afinamento das emoções”.

Aparecida Nogueira Santos

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